O homem depende da interação com outros da sua espécie para sua
sobrevivência. A consciência da interdependência entre os seres humanos é
primordial pra que haja equilíbrio na sociedade. Quando essa premissa é
descartada, as relações humanas caminham para o egoísmo e subjugação, onde os
caminhos e benefícios individuais estão acima dos coletivos, ainda que o bem
estar de poucos cause danos a muitos.
A sociedade pós-moderna vive intensamente essa situação, privilegiando
pequenos grupos sociais que possuem condições econômicas melhores em detrimento
de uma esmagadora maioria que não possui acesso às condições mínimas de
sobrevivência.
Dentro desse contexto, percebe-se que muito dos males existentes na
sociedade atual é fruto dessas divergências. O Brasil, inserido num mercado
capitalista de consumo, tem essas divergências muito acentuadas, com uma das
piores distribuições de renda do planeta. O crescimento vertiginoso dos índices
de violência tem mostrado esse lado obscuro da sociedade quando o bem comum é
negligenciado.
Esse quadro tem se tornado cada vez mais difícil, mas existe um passo
de esperança diante desses fatos: a COMPAIXÃO.
A palavra compaixão é derivada do latim, compassione, pode ser
descrito como uma compreensão do estado emocional do outro; não deve ser confundida
com empatia. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na
qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos
quais se compadece.
Uma mudança de postura onde seja possível as pessoas “se colocarem no lugar das outras” é o
começo da compaixão. Compreender as razões que levam indivíduos cometerem erros
muitas vezes graves, faz com que a raiz dos problemas seja identificada, e onde
não houver a indiferença com certeza haverão pessoas com boas iniciativas para
mudar esse quadro, baseado em um pensamento coletivo, onde o bem do todo é tão
importante quanto o bem individual.
Em Mateus 14, 13-14, encontramos um relato de compaixão de Jesus pelo
povo que o seguia:
“Ao ser informado da morte de
João, Jesus partiu dali e foi de barco, para um lugar deserto, a sós. Quando as
multidões O souberam, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco,
Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que
estavam doentes.” O que se segue depois dessa narrativa é o famoso milagre
da multiplicação dos pães e peixes. Quando nos colocamos na situação do outro,
podemos sentir parte do que a pessoa vem sentindo devido às privações que deve
estar passando, e um gesto pode mudar o ambiente em instantes. Se cada ser
humano tivesse a consciência de fazer um gesto de compaixão por alguém
necessitado, veríamos condições diferentes na sociedade e o bem comum seria
algo normal em nossos tempos.
A compaixão é o melhor caminho para transformação da sociedade, olhar o outro sem julgamentos, buscando nesse olhar
compreender que por detrás de um erro cometido tem todo um contexto. Será que
se estivemos no lugar do outro com a mesma história de vida dele, não faríamos a
mesma coisa que ele, ou até pior?
É bom sempre fazermos essa pergunta antes de apontar o dedo e julgar,
mesmo porque Deus não nos deu nenhuma autoridade para julgar ninguém em
situação alguma, isso cabe somente a Ele que é o Justo Juiz. Pensemos nisso
antes de sentenciar alguém...
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