domingo, 30 de junho de 2013

COMPAIXÃO


O homem depende da interação com outros da sua espécie para sua sobrevivência. A consciência da interdependência entre os seres humanos é primordial pra que haja equilíbrio na sociedade. Quando essa premissa é descartada, as relações humanas caminham para o egoísmo e subjugação, onde os caminhos e benefícios individuais estão acima dos coletivos, ainda que o bem estar de poucos cause danos a muitos.
A sociedade pós-moderna vive intensamente essa situação, privilegiando pequenos grupos sociais que possuem condições econômicas melhores em detrimento de uma esmagadora maioria que não possui acesso às condições mínimas de sobrevivência.
Dentro desse contexto, percebe-se que muito dos males existentes na sociedade atual é fruto dessas divergências. O Brasil, inserido num mercado capitalista de consumo, tem essas divergências muito acentuadas, com uma das piores distribuições de renda do planeta. O crescimento vertiginoso dos índices de violência tem mostrado esse lado obscuro da sociedade quando o bem comum é negligenciado.
Esse quadro tem se tornado cada vez mais difícil, mas existe um passo de esperança diante desses fatos: a COMPAIXÃO.
A palavra compaixão é derivada do latim, compassione, pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional do outro; não deve ser confundida com empatia. A compaixão é frequentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.
Uma mudança de postura onde seja possível as pessoas “se colocarem no lugar das outras” é o começo da compaixão. Compreender as razões que levam indivíduos cometerem erros muitas vezes graves, faz com que a raiz dos problemas seja identificada, e onde não houver a indiferença com certeza haverão pessoas com boas iniciativas para mudar esse quadro, baseado em um pensamento coletivo, onde o bem do todo é tão importante quanto o bem individual.
Em Mateus 14, 13-14, encontramos um relato de compaixão de Jesus pelo povo que o seguia:
“Ao ser informado da morte de João, Jesus partiu dali e foi de barco, para um lugar deserto, a sós. Quando as multidões O souberam, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes.” O que se segue depois dessa narrativa é o famoso milagre da multiplicação dos pães e peixes. Quando nos colocamos na situação do outro, podemos sentir parte do que a pessoa vem sentindo devido às privações que deve estar passando, e um gesto pode mudar o ambiente em instantes. Se cada ser humano tivesse a consciência de fazer um gesto de compaixão por alguém necessitado, veríamos condições diferentes na sociedade e o bem comum seria algo normal em nossos tempos.
A compaixão é o melhor caminho para transformação da sociedade, olhar o outro sem julgamentos, buscando nesse olhar compreender que por detrás de um erro cometido tem todo um contexto. Será que se estivemos no lugar do outro com a mesma história de vida dele, não faríamos a mesma coisa que ele, ou até pior?

É bom sempre fazermos essa pergunta antes de apontar o dedo e julgar, mesmo porque Deus não nos deu nenhuma autoridade para julgar ninguém em situação alguma, isso cabe somente a Ele que é o Justo Juiz. Pensemos nisso antes de sentenciar alguém...

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